Dino cobra explicação sobre elo entre Master e instituto de Mendonça
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu nesta terça-feira (15) explicações sobre uma possível relação entre o Banco Master, o Instituto Iter, fundado pelo também ministro André Mendonça, e contratos firmados pelo município de São Paulo.
No documento enviado ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, Dino lembrou que, em março de 2025, Mendonça recebeu o ex-banqueiro Daniel Vorcaro na sede de uma empresa privada. Segundo Dino, a partir desse encontro, o Instituto Iter passou a manter relações contratuais remuneradas com o município de São Paulo, que é parte em uma ação que discute regras para o funcionamento de cemitérios privados no estado.
O ministro citou uma série de circunstâncias que, na avaliação dele, precisam ser esclarecidas. O objetivo é entender se há relação entre o encontro de Vorcaro com Mendonça, o Instituto Iter, os contratos mantidos pela entidade e a atuação de Mendonça no processo sobre os cemitérios privados de São Paulo.
Dino ressaltou que a solicitação não significa afirmar que exista relação causal entre esses fatos nem que decisões judiciais tenham sido influenciadas por interesses externos. Segundo ele, a multiplicidade, a natureza e a convergência temporal desses pontos de contato formam um quadro que precisa ser esclarecido pelas autoridades competentes.
Análise no plenário
Na manhã desta terça-feira, o plenário do STF começou a analisar se o ministro Alexandre de Moraes pode ser investigado por suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O caso veio à tona no início do mês, quando André Mendonça, antigo relator do caso Master, retirou o sigilo do processo e encaminhou supostas conversas de Moraes com Vorcaro para Fachin.
Na mesma ocasião, Mendonça anunciou que deixaria a sociedade no Instituto Iter, instituição de ensino privada que oferece cursos de capacitação e pós-graduação executiva. À época, ele afirmou que nunca recebeu lucros do instituto que ajudou a fundar em novembro de 2023, quase dois anos após tomar posse como ministro do STF.
