Brasil

Bancos cancelam mais de 9 milhões de chaves Pix por irregularidades no CPF

Instituições financeiras e de pagamento cancelaram 9,1 milhões de chaves Pix de brasileiros nos últimos dez meses após identificarem irregularidades nos dados de CPF junto à Receita Federal. A ação atende a uma determinação do Banco Central do Brasil (BC) e tem como objetivo reforçar a segurança do sistema de pagamentos instantâneos e reduzir a atuação de golpistas.

De acordo com o BC, foram excluídas chaves vinculadas a CPFs com status suspenso, nulo ou cancelado, além de registros associados a pessoas falecidas. No caso das empresas, a medida também alcançou chaves relacionadas a CNPJs irregulares, o que contribuiu para uma ampla revisão das bases de dados do Pix.

Números da exclusão

Entre março e 20 de dezembro, o levantamento aponta que 13,4 milhões de chaves de pessoas físicas e cerca de 5 milhões de chaves de pessoas jurídicas foram removidas do sistema. Somente entre empresas, 3,4 milhões de chaves estavam ligadas a CPFs ou CNPJs em situação irregular.

Segundo o Banco Central, a maior parte das inconsistências detectadas está relacionada a erros de grafia nos nomes dos titulares, falhas que vinham sendo exploradas por criminosos para criar chaves semelhantes às de empresas reais e, assim, aplicar golpes.

Pix sob vigilância reforçada

O Pix, que completou cinco anos em 2025, segue sob monitoramento constante do BC, que mantém uma equipe dedicada exclusivamente à segurança das transações. Após episódios de ataques cibernéticos registrados no passado, o regulador intensificou a fiscalização e passou a aplicar sanções a instituições que apresentaram fragilidades no controle de risco de fraude.

Desde a adoção das chamadas ações emergenciais, o Banco Central informou que não houve registro de novos ataques cibernéticos relevantes ao sistema Pix.

Novas ferramentas contra golpes

Entre as próximas medidas, o BC planeja desenvolver um indicador de risco de fraude no Pix, baseado em inteligência artificial e machine learning, utilizando dados do DICT (Diretório de Identificadores de Contas Transacionais). A ferramenta deve ser estruturada ao longo de 2026, com previsão de entrada em operação em 2027.

O Banco Central também avalia ajustes no botão de contestação do Pix, mecanismo criado para facilitar pedidos de devolução em casos de golpe. Apesar do avanço na comunicação das fraudes, a taxa de ressarcimento de valores ainda permanece abaixo de 10%.

Outras mudanças em estudo

Além da limpeza cadastral, o BC estuda a regulamentação de transações Pix realizadas no exterior e o reforço na fiscalização de instituições financeiras que apresentem vulnerabilidades no gerenciamento de risco.

Segundo o órgão, o conjunto de medidas busca preservar a confiança dos usuários e garantir que o Pix continue sendo um dos principais meios de pagamento do país, com segurança e transparência.

Fontes

Banco Central do Brasil (BC)
O Tempo
Reportagens econômicas nacionais – 2025/2026

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