Política

Vice-governador desmascara Renato Junior: Prefeitura deve R$ 190 milhões ao Sinetram. Dívida causou a greve dos rodoviários

A paralisação do transporte coletivo que travou o trânsito de Manaus, ontem, prejudicando mais de meio milhão de pessoas, teve sua real causa exposta pelo vice-governador, Serafim Corrêa. Em coletiva de imprensa, Serafim expôs dívida de mais de R$ 190 milhões da Prefeitura de Manaus com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Sinetram). 

No Mandado de Segurança Cível nº 0000546-19.2026.5.11.0000, que tramita no Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região, a pendência financeira é detalhada. “Somente no exercício de 2026, o Município encontra-se inadimplente no valor de R$ 89.176.056,01, referente aos meses de abril (R$ 11.241.787,70) e maio (R$ 23.708.315,32), já vencidos, e à previsão de junho (R$ 54.225.952,99). Somado o débito remanescente do exercício de 2025, de R$101.256.799,34, o passivo total do Município junto ao sistema atinge R$190.432.855,35”.

Ao esclarecer as responsabilidades financeiras, Serafim destacou a acentuada diferença entre os débitos públicos: enquanto o Município acumula mais de R$ 190 milhões em atrasos no repasse de subsídios, o passivo do Governo do Estado limita-se a R$ 18 milhões, referente à meia-passagem estudantil. 

O vice-governador garantiu que o montante estadual será quitado nas próximas 24 horas, ponderando que o atraso pontual ocorreu devido à recusa do próprio sindicato patronal em receber os valores. Desde maio, o estado do Amazonas tenta regularizar os repasses.

Sinetram cobra prefeitura

No processo, a entidade requereu conciliação urgente com a Prefeitura e o IMMU, demonstrando que a arrecadação de catraca cobre apenas metade do custo operacional do sistema e que forçar o pagamento da folha salarial sem os repasses do Poder Concedente provocará o colapso total da frota por falta de combustível.  

Diante da crise, o Governo do Estado e o setor patronal defendem que a solução para evitar novas paralisações na capital depende do equacionamento do passivo pelo municipal. 

A regularização dos repasses devidos pela Prefeitura de Manaus é apontada como a única via capaz de reestabelecer o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos de concessão, garantindo a pontualidade dos vencimentos dos trabalhadores e a continuidade do serviço essencial à população.

Impacto da greve na capital

A paralisação dos rodoviários deixou mais de meio milhão de passageiros desassistidos nos Terminais de Integração (T1 a T5). Ônibus retidos em pontos estratégicos de grandes vias — como as Avenidas Constantino Nery, Djalma Batista e Ephigênio Salles — provocaram bloqueios no trânsito e congestionamentos quilométricos por toda a cidade

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